Parâmetros da Edificação
Preencha os parâmetros da edificação e gere o cronograma físico com etapas, caminho crítico e Gantt.
Parâmetros da Obra Rodoviária
Defina traçado, pavimento, topografia e estruturas especiais para estimar o prazo da rodovia com caminho crítico.
Como o CronogramaPro trata a incerteza de prazo
Um cronograma determinístico responde a uma pergunta pouco útil: quanto dura a obra se cada serviço durar exatamente o previsto? Como as durações são estimativas, o valor que resulta dessa conta não é o prazo esperado — é apenas um dos cenários possíveis, e em geral um dos mais otimistas. A simulação de Monte Carlo responde à pergunta correta: qual a probabilidade de a obra terminar até determinada data?
1. O que é sorteado na simulação de Monte Carlo
Cada iteração da simulação de Monte Carlo sorteia um cenário completo da obra. O sorteio incide sobre o esforço em dias úteis de cada atividade, não sobre a duração em dias corridos. Para a atividade i define-se um multiplicador aleatório m̃ᵢ de valor mais provável 1,00 — ou seja, a estimativa determinística é tratada como a moda da distribuição, não como sua média.
O coeficiente de variação cvᵢ de cada atividade decorre da natureza do serviço e da maturidade do projeto: serviços geotécnicos e desmonte de rocha recebem cv elevado; acabamentos internos, cv moderado; lead times de suprimento, cv alto por dependerem de terceiros. A maturidade do projeto (executivo, básico ou anteprojeto) impõe um piso ao cv de toda a rede. Os valores são editáveis atividade por atividade na tabela de variáveis de entrada do relatório.
2. Famílias de distribuição disponíveis
- PERT (beta de 3 pontos) — padrão da análise de risco de cronograma. Concentra a massa em torno do valor mais provável e admite cauda direita alongada. Equivale à distribuição beta com λ = 4.
- Triangular — densidade linear entre otimista e pessimista. Atribui mais peso às caudas que a PERT e produz resultados mais conservadores para os mesmos três pontos.
- Lognormal — assimétrica à direita por construção, adequada quando os atrasos se compõem de forma multiplicativa. Aplicada com média unitária imposta.
- Normal truncada — simétrica. Subestima o risco de cauda, porque em obra os atrasos são muito mais prováveis que as antecipações. Útil apenas como termo de comparação.
- Uniforme — densidade constante entre os extremos. Distribuição de máxima entropia: usar quando não há qualquer informação sobre a forma da incerteza, apenas sobre seus limites.
Todas são amostradas por inversão da função de distribuição acumulada sobre um número uniforme gerado por cópula gaussiana, o que permite trocar de família sem alterar a estrutura de correlação. A beta é invertida por tabela construída a partir da função beta incompleta regularizada.
3. Correlação entre atividades
Tratar as atividades como independentes é o erro mais comum em simulação de cronograma. Pela lei dos grandes números, os desvios se cancelam e a distribuição do prazo total fica artificialmente estreita — o P80 sai quase colado no P50, sugerindo uma precisão que não existe. Na prática, causas comuns afetam a obra inteira: um ano atipicamente chuvoso, uma equipe de gestão fraca, um fornecedor em dificuldade, uma conjuntura econômica adversa.
O termo z_sistêmico é sorteado uma vez por iteração e compartilhado por todas as atividades; o termo próprio é individual. O parâmetro ρ mede o peso da causa comum — o padrão adotado é 0,45. Com ρ = 0 recupera-se a hipótese de independência, útil para demonstrar o efeito.
4. Recálculo integral da rede a cada iteração
Este é o ponto que distingue o modelo. A cada uma das milhares de iterações, a rede CPM inteira é resolvida de novo — inclusive a conversão de dias úteis em dias corridos. Uma atividade que se alonga escorrega para outros meses do calendário e passa a sofrer a pluviometria daquele período. Uma terraplenagem que atrasa e alcança a estação chuvosa atrasa ainda mais; o mesmo serviço, adiantado, encontra a janela seca e recupera.
Essa realimentação entre duração e calendário responde por boa parte da assimetria observada no resultado e não existe em simuladores que sorteiam durações já expressas em dias corridos. É também o motivo pelo qual a data de início informada altera não apenas o prazo médio, mas o formato da distribuição.
5. O que é medido
- Percentis P5 a P95 — o prazo com dada probabilidade de não ser excedido. O P80 é a referência usual para fixação contratual; o percentil adotado é escolha do usuário e fica registrado no relatório.
- Contingência de prazo — diferença entre o percentil adotado e o resultado determinístico. É a reserva que deve ser explicitada na memória, e não diluída dentro dos coeficientes de produtividade.
- Probabilidade de cumprir um prazo alvo — permite avaliar diretamente o prazo de um edital ou de um contrato em curso contra a distribuição simulada.
- Índice de criticidade — proporção de iterações em que a atividade integrou o caminho crítico. Valores intermediários revelam caminhos quase-críticos, o principal ponto cego do cronograma determinístico.
- Sensibilidade (diagrama tornado) — correlação de Pearson entre o multiplicador sorteado da atividade e o prazo total. Mede quanto a atividade move o resultado, não apenas com que frequência está no caminho crítico. É a lista de prioridades de qualquer plano de mitigação.
6. Reprodutibilidade e verificação
O gerador aleatório é congruencial linear com semente explícita: a mesma configuração produz sempre o mesmo resultado, o que é condição para que a estimativa possa ser reproduzida por terceiros. Alterando apenas a semente é possível verificar a estabilidade dos percentis — se o P80 oscila de forma relevante entre sementes, o número de iterações é insuficiente.
Como referência prática: 500 iterações bastam para uma leitura rápida da ordem de grandeza; 2.000 estabilizam os percentis centrais; 10.000 são recomendáveis quando se pretende ler P90 ou P95, que dependem da cauda.
7. Limites do modelo
A simulação propaga a incerteza das durações dentro de uma estrutura lógica fixa. Ela não modela mudança de escopo, aditivo contratual, paralisação por falta de recursos orçamentários, rescisão, embargo ou intervenção de órgão de controle — eventos que, nas obras públicas, respondem por parcela relevante dos atrasos observados e que são de natureza discreta, não contínua. O resultado deve ser lido como o prazo necessário para executar a obra, supondo que ela não seja interrompida por causas alheias à execução.
Os coeficientes de produtividade e os coeficientes de variação embutidos são referências de planejamento. Antes de uso contratual devem ser calibrados com dados próprios de obras concluídas — que é, afinal, a única fonte legítima de uma distribuição de probabilidade.
Manual do usuário
- Escolha a aba 01 Edificação ou 02 Rodoviária.
- Preencha os campos obrigatórios (marcados com *): área e pavimentos, ou extensão da via.
- Informe a data de início no formato mm/aaaa. É opcional, mas sem ela o programa usa a média anual de chuvas e você perde o efeito da sazonalidade — que costuma valer de 10% a 25% do prazo.
- Ajuste regime de chuvas e perfil sazonal para a região da obra.
- Clique em Gerar cronograma.
- No relatório, leia primeiro os quatro indicadores do topo, depois a curva S e a rede PERT.
O prazo que interessa para contrato não é o determinístico, e sim o percentil adotado (P80 por padrão). O determinístico costuma ter menos de 40% de probabilidade de ser cumprido.
- Tipo de edificação
- Ajusta o consumo de mão de obra em instalações e acabamentos. Hospitais e prédios institucionais têm instalações mais densas; galpões industriais, muito menos acabamento.
- Área construída e pavimentos
- A razão entre os dois define a área por pavimento, que comanda o ritmo da Linha de Balanço. Lajes muito grandes sofrem perda logística; lajes pequenas não comportam equipe cheia.
- Subsolos
- Cada subsolo acrescenta escavação, contenção e estrutura enterrada — o bloco de maior variabilidade do cronograma.
- Sistema estrutural
- Concreto e alvenaria estrutural têm piso de ciclo por cura (7 dias úteis por pavimento) que nenhum turno extra vence. Metálica e pré-moldado não têm esse limite.
- Padrão de acabamento
- Controla o consumo unitário em acabamentos e fachada. Do padrão simples ao alto, o acabamento mais que dobra.
- Turnos e jornada semanal
- O 2º turno rende 55% do 1º e o 3º apenas 35% — nunca 100%. A jornada semanal age no calendário (dias úteis por mês), não como ganho de produtividade, para evitar dupla contagem.
- Equipes simultâneas
- Vedação, instalações, fachada e acabamento admitem equipes em pavimentos distintos, com perda de 8% por equipe adicional. A estrutura é sequencial e não se duplica. No modo automático, uma equipe a cada ~7 pavimentos.
- Fatores de complexidade geotécnica
- Rocha, cortinas atirantadas, rebaixamento e fundações profundas alongam o bloco inicial e elevam a variabilidade.
- Gestão e interfaces
- Multiplicador sobre todo o esforço. Obra pública típica adota 1,10, incorporando ciclos de medição e ajustes de projeto.
- Maturidade do projeto
- Define o piso de incerteza da simulação e insere a etapa de compatibilização quando o projeto não é executivo.
- Suprimentos de longo prazo (automáticos)
- O programa insere sozinho dois itens que costumam faltar em cronogramas paramétricos: a fabricação e entrega de elevadores, com 135 dias corridos de lead time contados a partir do pedido, e as ligações definitivas de concessionárias (energia, água e gás), com 110 dias corridos. Ambos correm em paralelo à obra, mas entram no caminho crítico se a compra não for antecipada. O número de elevadores é estimado pela área e pelo número de pavimentos; edificações de até 4 pavimentos e galpões não recebem elevador.
- Extensão e tipo de via
- Pista dupla majora em 75% o volume de terraplenagem e alarga base e revestimento.
- Topografia
- Define o volume de terraplenagem por km quando ele não é informado: 10.000 (plana), 30.000 (ondulada) ou 62.000 m³/km (montanhosa).
- Volume de terraplenagem (m³/km)
- Campo opcional e o mais importante da aba. Se você já tem a curva de Brückner ou o quantitativo do SICRO, informe aqui: é o parâmetro que mais comanda o prazo.
- Tipo de pavimento
- Além da produtividade, define a sensibilidade à chuva. CBUQ tem sensibilidade 1,00 — não se aplica sob chuva nem sobre base úmida; o revestimento primário tem 0,65.
- Frentes de ataque
- O ganho é sublinear: cada frente adicional perde 7% por replicação de canteiro, usina e supervisão. Trechos abaixo de 4 km por frente geram aviso.
- Obras de arte especiais
- Correm em paralelo, com número de equipes limitado pelas frentes. Em obras curtas com muitas pontes, elas assumem o caminho crítico — o relatório avisa quando isso ocorre.
Cada bloco é uma atividade. A leitura do bloco é a convenção clássica de seis campos:
- ES (early start) e EF (early finish): a data mais cedo em que a atividade pode começar e terminar.
- LS (late start) e LF (late finish): a data mais tarde sem atrasar a obra.
- Folga: diferença entre LS e ES. Folga nula significa atividade crítica.
- Criticidade: em quantos por cento dos cenários simulados aquela atividade esteve no caminho crítico.
As colunas são níveis topológicos, então toda seta aponta da esquerda para a direita e o caminho crítico se lê como uma linha vermelha contínua. Setas tracejadas indicam vínculos SS (início-início) ou FF (fim-fim), típicos da Linha de Balanço, onde as equipes se sobrepõem em pavimentos ou trechos diferentes.
Um bloco laranja é uma atividade quase-crítica: hoje tem folga, mas assume o caminho crítico em parte dos cenários. É o ponto cego que o cronograma determinístico não mostra.
- Histograma
- Distribuição de frequências dos cenários simulados. A cauda direita alongada é a assinatura de cronograma: atrasos se acumulam, antecipações não.
- Curva S
- Para qualquer prazo no eixo horizontal, informa a probabilidade de a obra terminar até ali. É a peça que se leva para a discussão de prazo contratual.
- Prazo alvo
- Digite o prazo do edital ou do contrato e o sistema devolve a probabilidade de cumpri-lo. Abaixo de 50%, o prazo tende a gerar aditivo.
- Percentis
- P80 significa 80% de probabilidade de não ser excedido. A diferença entre o percentil adotado e o determinístico é a contingência de prazo, que deve ser explicitada na memória e não diluída nos coeficientes.
- Diagrama tornado
- Ordena as atividades por quanto movem o resultado. A barra verde é o fator sistêmico — risco de causa comum, que nenhuma ação sobre uma atividade isolada elimina.
- Variáveis de entrada
- Tabela editável: altere o coeficiente de variação de qualquer atividade, ou retire-a da simulação, e clique em Resimular.
A aba 03 Modelagem probabilística detalha as famílias de distribuição, a cópula gaussiana e os limites do modelo.
- Por que o prazo aumentou tanto em relação a estimativas rápidas?
- Porque o esforço é medido em dias úteis e convertido em dias corridos por um calendário que desconta feriados, recesso coletivo e dias de chuva ponderados pela sensibilidade de cada serviço. Dividir esforço por 30 embute um ganho fictício de 30% a 45%.
- Mudei a data de início e o prazo mudou. Está certo?
- Sim, e é um dos pontos centrais do programa. Iniciar terraplenagem ou pavimentação na entrada da estação chuvosa alonga a obra; a mesma obra iniciada na janela seca termina antes.
- O programa estima custo?
- Não. Estima exclusivamente prazo.
- Posso usar o resultado direto em edital?
- Use como estimativa de referência e ponto de partida da discussão. Os coeficientes de produtividade e de variação são referências de planejamento e devem ser calibrados com dados próprios de obras concluídas antes de uso contratual.
- O que o modelo não cobre?
- Mudança de escopo, aditivo, paralisação orçamentária, embargo e rescisão — eventos discretos que, em obra pública, respondem por parcela relevante dos atrasos. O resultado é o prazo para executar, supondo que a obra não seja interrompida por causas alheias à execução.
- Como reproduzo exatamente um resultado?
- Mantendo os mesmos parâmetros e a mesma semente aleatória. A semente fica registrada na configuração da simulação.
- Meus dados ficam salvos?
- Não. O arquivo é autocontido e não guarda nada: ao fechar a página, tudo se perde. Use o botão de relatório para gerar o PDF.
- Dia útil (d.ú.)
- Dia efetivamente trabalhável. Unidade em que se mede o esforço.
- Dia corrido (d.c.)
- Dia de calendário. Unidade em que se mede o prazo contratual.
- Linha de Balanço (LOB)
- Técnica para serviços repetitivos: cada equipe percorre pavimentos ou quilômetros em ritmo próprio, sem alcançar a equipe anterior.
- Caminho crítico
- Sequência de atividades sem folga: qualquer atraso nelas atrasa a obra inteira.
- Folga total
- Quanto uma atividade pode atrasar sem empurrar o término da obra.
- Ciclo de laje
- Dias úteis para executar a estrutura de um pavimento-tipo.
- Sensibilidade climática
- Fração dos dias de chuva que efetivamente paralisa o serviço. Terraplenagem 0,95; CBUQ 1,00; acabamento interno 0,08.
- P80
- Prazo com 80% de probabilidade de não ser excedido.
- Contingência de prazo
- Diferença entre o percentil adotado e o resultado determinístico.
- Vínculos FS, SS e FF
- Fim-início, início-início e fim-fim: as três formas de ligar duas atividades, todas com defasagem própria.